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Eu me lembro
(ah, agora o tempo faz sentido, não é mesmo)
(o passado)
daqueles poemas ruins
que estão por ali, perdidos no laptop.
Abra-os, antes que a bateria descarregue:
(tambores, címbalos, saxofone)
(Johnny C. em êxtase)
Hoje só podemos ler em pedaços:
E eu, pincel que
não mancha
nem desmancha
os traços da sua boca,
mais me faço
obra-prima;
cores-delírio nos meus cabelos.
Eu corro, levo ondas de branco e irrompo nas pedras;
Eu levo sua cor de apelo no corpo;
Eu corro, desapagando a manhã.
Inocente, você diz. Eu releio:
Sua alma desencosta do crepúsculo.
Sua alma deixa tudo derreter.
Sua alma tinta amarela.
Sua alma atenção de montanha enverdece o mundo.
Interior da grama infectando todo asfalto.
Esse não foi pra mim, você diz: Eu releio:
medo de ainda não ser noite:
nos primeiros gemidos do sol
chove
de inundar visões.
Esse era daquela vagabunda que usava perfume demais, você diz. Eu releio:
Até que esta força
que me impede
desate a noite
e me deixe fazê-lo;
hoje eu poderia
reescrever
sua voz.
Sua voz que ri nas variações da estática,
voa alto com os aviões,
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